Quem nunca procrastinou, que atire a primeira pedra! Eu já e muito… E me custou muita terapia entender o que está por trás deste comportamento irresistível frente a alguns desafios. Como explica a ótima matéria da Charlotte Lieberman, do New York Times (que você pode conferir, em português aqui, ‘quando nós procrastinamos, não estamos apenas conscientes de que estamos evitando uma tarefa, mas também de que fazer isso é provavelmente uma má ideia. E, no entanto, procrastinamos.’

Antes do início do meu Doutorado eu não me identificava com a ideia de AUTOFLAGELO que a procrastinação traz – excelente definição dada por Piers Steel, professor de psicologia motivacional da Universidade de Calgary, no Canadá. Só que, a partir do momento em que entrei na fase da elaboração da tese, de repente me vi super empenhada em cozinhar e não deixar louça na pia, morrendo de sono todas as tardes, organizando todos os documentos no escritório e por aí afora. A mesma coisa acontecia na hora de corrigir os trabalhos dos alunos.

Estava fazendo qualquer coisa para escapar dos meus compromissos de estudo e trabalho e não conseguia parar de pensar: meldels, são coisas importantes, PRECISO fazer, por que NÃO CONSIGO?

A professora de psicologia na Universidade de Sheffield (Inglaterra), Fuschia Sirois, destaca que a procrastinação é essencialmente irracional e nos envolvemos nela por causa de uma incapacidade de gerenciar o humor negativo em torno de uma tarefa. O psicólogo Tim Pychlyl, da Universidade de Carleton, no Canadá, dá um exemplo: “É como ficar bêbado ou comer para se consolar: é uma estratégia que nos faz sentir melhor ao nos distrairmos com um prazer de curto prazo e esquecermos o problema”. Eu não sei pra você, mas, hoje, para mim, isso explica tudo…

De acordo com os estudos sobre o tema, a procrastinação é mais comum em quem é mais impulsivo, propenso ao perfeccionismo, se sente oprimido pelas opiniões dos outros ou teme o fracasso. Neste contexto, a natureza da nossa aversão depende da tarefa dada. Ela pode surgir em decorrência de algo desagradável sobre a tarefa em si — organizar uma planilha longa e chata para seu chefe, por exemplo. Por outro lado, também pode resultar de sentimentos mais profundos relacionados à tarefa, como insegurança, baixa autoestima ou ansiedade.

Meu perfeccionismo e necessidade de atender expectativas alheias foram os gatilhos para que, durante cinco longos anos, eu vivesse num ciclo vicioso (que não desejo para ninguém) de não fazer o que precisava, me sentir terrivelmente culpada por isso e, assim, aumentar ainda mais minha aversão às tarefas que eu precisava realizar.

Os pesquisadores explicam que o alívio momentâneo que sentimos quando procrastinamos é o que torna o ciclo especialmente vicioso. No presente imediato, adiar uma tarefa oferece alívio. E sabemos que, quando somos recompensados por algo, tendemos a fazê-lo novamente. É precisamente por isso que a procrastinação tende a não ser um comportamento único, mas um ciclo, que facilmente se torna um hábito crônico.

A pior parte disso tudo (sim, a coisa piora) é que ao longo do tempo, a procrastinação crônica tem não apenas custos de produtividade, mas também efeitos destrutivos mensuráveis em nossas saúdes mental e física, incluindo estresse crônico, sofrimento psicológico e baixa satisfação com a vida, sintomas de depressão e ansiedade, maus comportamentos de saúde, doenças crônicas e até hipertensão e doença cardiovascular.

Matt Pickles, da BBC apresenta seis passos apontados por Tim Pychyl para reduzir a procrastinação, os quais eu reproduzo aqui. Destaque para os passo dois, três e seis, que fui exercitando com a ajuda do meu terapeuta e renderam bons resultados para mim!

  1. Pratique técnicas de “mindfulness” para controlar os pensamentos negativos‘Usando técnicas de mindfulness (ou atenção plena), podemos perceber que não queremos fazer algo sem julgar esse sentimento. Isso nos ajuda a perceber que a tarefa deve ser realizada e começá-la. […] Depois, quando avançamos na tarefa, nos sentimos melhor e isso faz com que seja mais fácil continuar’, diz Pychyl
  2. .Divida tarefa em passos claros e controláveisUma das razões de adiarmos o que devemos fazer é que as metas a que nos propomos são em geral grandes e vagas – o que as faz intimidadoras e desagradáveis. Assim, em vez de se propor a ‘entrar em forma’ ou ‘escrever um romance’, tente metas como ‘colocar o traje de exercícios’ ou ‘’decidir o nome do personagem principal’.
  3. Não se castigue por procrastinarA pesquisa de Pychyl mostra que aqueles que se perdoam por procrastinar tendem a não repeti-lo em sua próxima tarefa. Quanto mais culpa e raiva você sentir, menos possibilidade de terminar a tarefa.
  4. Apoie-se em bons hábitos que você já tem Pychyl dá um exemplo corriqueiro: ele finalmente conseguiu obedecer a recomendação de seu dentista de usar fio dental ao combinar a tarefa com o hábito de escovar os dentes. Ele se comprometeu a primeiro passar o fio dental todas as vezes que ia escovar os dentes. Em pouco tempo passou a fazer a tarefa sem pensar sobre ela.
  5. Pense no ‘eu futuro’Quando é necessário entregar um trabalho às nove da manhã imagine a si mesma tentando terminá-lo desesperadamente na madrugada. Isso pode ajudar a começar a tarefa mais cedo.
  6. Entenda a importância do que deve ser feitoPychyl diz que a procrastinação frequentemente reflete um problema existencial mais profundo de falta de identidade ou direção na vida. Procrastinamos quando a tarefa parece tediosa ou menos significativa. Assim, é preciso não esquecer da razão porque se está realizando a tarefa e como ela se encaixa em suas ambições.

Lembre-se: em sua essência, a procrastinação diz respeito a emoções, e não à produtividade. A solução não envolve o download de um aplicativo de gerenciamento de tempo ou o aprendizado de novas estratégias de autocontrole. Tem a ver com gerenciar nossas emoções de uma nova maneira.

‘Bora exercitar a inteligência emocional?

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